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Opinião: A Verdade e Outras Mentiras de Sascha Arango



 
 
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A Verdade e Outras Mentiras é um thriller psicológico que reúne inteligência, elegância, comédia negra e um elemento surpresa tão forte que nos hipnotiza desde o primeiro momento.

O seu protagonista Henry Hayden, um escritor de sucesso com um passado secreto, seduz toda a gente com a sua sensualidade e os seus modos de dandy. Mas a vida de fachada que construiu é subitamente ameaçada quando Betty, a amante, lhe revela que está grávida. Desesperado por salvar o seu casamento e o enorme sucesso literário de que goza, Henry comete um erro fatal e, na ânsia de o consertar, entra num vórtice imparável de mentiras e destruição.

Inteligente, sarcástico e de leitura compulsiva, esta é a história de um homem cuja astúcia lhe permite escapar a tudo, mesmo quando está à beira do precipício. Uma obra-prima policial, com muitas reminiscências de O Talentoso Mister Ripley, de Patricia Highsmith.




Este livro surpreende o leitor principalmente pela forma genuína como nos é apresentado Henry Hayden! O nosso protagonista é-nos apresentado como um hábil e carismático escritor. Alguém cuja aura contagia as pessoas ao seu redor, como o homem a que aspiramos ser, bem sucedido, eloquente e feliz.


Mas como nem tudo o que reluz é ouro, algo de muito misterioso e sombrio se esconde para além da imagem apelativa de Henry... É a gravidez de Betty, a sua amante, que marca o "ponto de não retorno" e faz a vida Henry dar uma volta de 180º (ou não!!).


A escrita de Sascha Arango chegou a mim de uma forma bastante natural, criando entre nós uma relação de elevada intimidade. É fácil encontrarmos pontos de intercepção e convergência entre a nossa vida e a perspectiva que o autor dá das personagens. Considero esta uma escrita inteligente, ainda que não sobressaía sobre a história, é o elemento basilar da mesma. Ocupa o seu lugar natural e realça o livro como um todo. 


A história tem marcadamente uma componente forte de comédia negra, que me deliciou. A forma como o autor brinca com os desígnos trágicos das acções de Henry são elementos de verdadeiro deleite.


No decurso da história Henry mostra humanidade e despojo material que nos leva a questionar o que vamos descobrindo sobre o seu passado. 


Outra mais valia que encontramos no enredo é a diferença entre o que a personagem pensa e o que faz! Esta dicotomia, no extremo, pode levar a que o leitor perca o interesse por se sentir frustrado com constante divergência ... Mas, também aqui, o autor revela mestria na arte e faz deste mecanismo algo aliciante e encorajador da leitura, culminando num virar da página "fluente".


O que fica, depois de uma leitura atenta e algum tempo de absorção e reflexão é uma imagem bastante real do jogo das imperfeições e das maravilhas da mente humana. Da capacidade de influenciar e ser influenciado. É um misto agridoce da essência humana.


A cereja no topo do bolo é o desfecho, para mim improvável.


Recomendo.


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Opinião: O Bicho-da-Seda de Robert Galbraith



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Quando o escritor Owen Quine desaparece, a sua mulher contrata os serviços do detetive privado Cormoran Strike. De início pensa que o marido se ausentou por uns dias - como já acontecera anteriormente - e recorre a Strike para o encontrar e trazer de volta a casa.

No decorrer da investigação, torna-se claro que o desaparecimento do escritor esconde algo mais. Quine tinha acabado de escrever um romance onde caracterizava de forma perversa quase todas as pessoas que conhecia. Se o livro fosse publicado iria certamente arruinar algumas vidas - pelo que haveria várias pessoas interessadas em silenciá-lo.

E quando Quine é encontrado, brutalmente assassinado em circunstâncias estranhas, começa uma corrida contra o tempo para tentar perceber a motivação do cruel assassino, um assassino diferente de todos aqueles com quem Strike se tinha cruzado...

Um policial de leitura compulsiva com um enredo que não dá tréguas ao leitor, O Bicho-da-Seda é o segundo livro desta aclamada série protagonizada por Cormoran Strike e pela sua jovem e determinada assistente Robin Ellacott.




O Bicho da Seda é o segundo livro da série Cormoran Strike, de J. K. Rowling, com o pseudónimo de Robert Galbbraith. E o terceiro livro de ficção para adultos depois de escrever os livros de Hary Potter.


A história  começa por um pedido que “toca” Robert Galbraith, Leonora procura o seu marido,  Owen Quine, um autor controverso que tem tendência a desaparecer e ter algumas aventuras extraconjugais.


O que aparentemente parece um caso simples de ausência voluntária depressa se transforma num homicídio grotesco e aterrador que choca tudo e todos e que aparentemente tem como móbil num manuscrito cujo conteúdo desagradaria muita gente.


A história centra-se no mundo literário, num mundo rodeado grandes egos, onde as reais intenções das personagens nem sempre são claros em prol do enredo. Este facto é por si só atraente e incita a uma leitura atenta. 


As ligações das temáticas desta série à vida pessoal da autora são muitas. No livro anterior (“Quando o Cuco Chama”) falava-se na devassa da vida privada pelos paparazzi, facto que liga a história à vida pessoal da autora e à defesa da sua vida privada perante os holofotes da comunicação social.


A temática deste livro é o mundo literário e mais uma vez se volta a fazer a conexão entre a vida pessoal da autora e o livro. Há quem consiga ver neste livro uma sátira a esse mundo cruel, competitivo e misterioso. Da mesma forma que se pode ver uma metáfora ao titulo, a vida d"o Bicho da Seda", com o escritor, que tem que se sujeitar a um caminho tortuoso para alcançar o objectivo.


Gostei, uma vez mais, da escrita experiente de Rowling, que nos apresenta coerentemente a história e sabe chamar a atenção do leitor. O livro oferece uma visão muito particular da autora sobre este género literário que vale a pena explorar e que podemos ver desenvolvida ao longo da história. 


A história desenvolve-se pelas quase 500 páginas, entre os avanços e recuos da investigação, onde nos vão sendo oferecidas várias possibilidades de desfecho e consequentemente uma envolvência maior.


Quanto à evolução das personagens ao longo da série,  estou a gostar da envolvência e relevância que Robin vai alcançando. Da forma como a personagem vai libertando amarras e ocupa muitas vezes o pensamento de Cormoran, criando uma divertida tensão sexual subentendida entre os dois.


Robin apresenta-se uma mulher profissional, eficiente, forte, ainda que carregue e mantenha um grande sentido de preservação da relação que mantém com o seu companheiro. 


Robert, é um detective privado, veterano de guerra (onde perdeu uma perna) com larga experiência na investigação criminal militar. Perspicaz, inteligente contudo é acompanhado por um grande estigma em relação ao seu pai. Robert apresenta-se determinado em não depender do pai, do seu poder ou do seu dinheiro. 


Profissionalmente, a personagem ganha notoriedade quando resolve o assassinato de Lula (livro anterior: “Quando o Cuco Chama”), o que se espelha no crescimento do seu negócio e foi a ignição para esta série.


Que venha o próximo.  ;)

Podes ler aqui a opinião do livro anterior: Opinião: Quando o Cuco chama


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